Vou sair conforme entrei


E mais um poeta por mim passou
E sussurrou-me ao ouvido
O que se passa aqui…

"São os cabelos negros,
selvagens,
que não se deixam desenhar,
são os olhos que se escondem
e sussurram tatuagens,
beijos quentes,
sonhados...
São as palavras não ditas,
são os mundos que tu sentes,
os papeis amarrotados…

É a brisa que te leva,
é o vento que me traz…Aqui
para te ler e apreciar,
a musica ouvir e no ouvido levar.

Vou sair conforme entrei
E sussurrar ao poeta, que aqui pode entrar...

POETA DE TERRA E MAR



Pelo fio da palavra
Me deixo conduzir,
Metafórico dilema
De existir.
Contornada desses
Matizes mais intensos,
Flores líricas,
Rosas míticas
De sangue e carmim.

Por dentro
De mim,
Cavernas dentre cavernas,
Na lucidez de experimentar
A própria sombra,
E provar,
Sem medos,
O sabor solene
Desse vinho,
A retzina dos deuses.

Da escuridão,
Do ser lírico,
Emergir das dores,
Dos risos,
Do que sobrou dos abismos
E dos naufrágios,
Nesta dança de ser poeta,
De terra e mar.

Incerta,
Contradição de ser
A soberana dona
Das palavras vãs,
E na escravidão da mente,
Me perder,
E me encontrar,
Apenas quando vergo
O corpo, em delicado lírio,
E beijo o chão
Do palácio de um poema.

Sandra Fonseca

EXISTIR...


Existir é um fardo
que se tornou pesado
...muito doloroso
É uma espécie de necessidade
muito dolorosa...
Carrego o fardo de existir
Porque existir sem existir
é de todo muito doloroso.
Doloroso dia-a-dia
Doloroso viver... existir... desistir...
Carregando o peso da vida




SOL

A última lágrima...

Quando o amor se esquece de amar a pessoa que está ao seu lado...
-
-

No meu regaço repousa a mão
Cansada de limpar minh`alma
E pelos meus seios escorre a lágrima,
A última, aquela que fecha o coração.

Não sei o que ouço para além de mim
Ou que veja em ti, cegueira da vida…
Porque o meu sopro se fez silêncio
E o meu choro lamento.

E todo o meu corpo mergulha neste mar
Revolto de medo.
Não há porta que se abra.

Fechaste-a imprudentemente
Ao afogar a mágoa dentro de mim.
Que se afogue também a minha dor!
-
manuela


A inesperada silhueta da sombra

que a noite desperta

entre o luar e as árvores nuas

aproxima-me do promontório

abismo insondável

dos meus sonhos negros

Nem a mão que repousa na esperança

da luz total das tuas mãos

me devolve à plenitude da lucidez

Há um espaço por preencher

no relevo da parábola

verbo que esventra a noite

quando a tua ausência é presente

Dilacero as esquinas do granito

mãos ensanguentadas

no pescoço da madrugada

até que o sal apazigue a angústia

ou a bebedeira me passe.


©efeneto



Rascunhos em folhas brancas

Mãos despidas,
Pedaços de nada…
Onde caem gestos,
Das palavras…
Doces… Amargas.
Rompes a aurora,
Rasgando o céu
Em traços coloridos
Nos sons
Que dançamos ao luar.
Na loucura sã,
Trepei a liana da seiva,
Alcançando a outra face,
De onde corriam Lágrimas em pérolas
Nos rios de prata do teu rosto.
Sentei-me na ardósia
Onde escrevi o teu nome,
Esperando…
Que no renascer
O tempo sopre aromas
Da beleza do teu corpo.
Assim embarquei
No barco que moldei
De folhas em branco…
Onde existem sempre
Rascunhos de sentimentos.

Fotografia - Humberto Machado (tema - Vou encontrar a resposta...)

O olhar e as mãos

Quando as palavras
secam na garganta
no momento exacto de as dizer
parecem rochas encrostadas na terra
impossíveis de as moldar.

Fico na impotente ansiedade
como náufrago, sem gritar.

Sei como são cruéis
e tiranas as palavras
que se recusam a pronunciar-se
naquele exacto momento
em que mais são precisas.

Quando me acontece contigo
substituo-as pelo olhar
e as mãos dizem o resto.
**
©efeneto

NATAL MEU JESUS...

A luz vai surgindo no céu,Iluminando todas as coisas.Tudo começa a tomar formas e cores.E as trevas da noite desaparecem,da mesma forma ocorre no lado espiritual.As trevas representam medo e morte,e a luz representa esperança e vida.Aqueles que condenam a existência da luz,não teem poder para destruí-la.Abra seus olhos e coração e descubra,que você não precisa mais viver na escuridão,Jesus é a luz do mundo,A luz que vence todas as trevas.
Traga-o sempre em seu coração---

SOL

RITUAL


RITUAL

Quando a luz da lua
Banhar teu lugar
Uma brisa suave teu corpo tocar
A energia se fizer presente
Tenha certeza que contigo estarei
Em qualquer momento
Sejam eles de gozo ou dor

A força que expande neste momento
Faz sentir a leveza do sentimento
Que envolve a alma e a matéria
Para te trazer de volta
Um deleite ....uma satisfação
Um ritual de esplendor
Que a tudo supera

By Eärwen Tulcakelumë

Quando o silêncio dorme...

Quando o silêncio dorme,
nós apagamos um pouco da nossa memória,
esperamos deixar espaços em branco,
rogamos que nos esvaziem memórias.

Quando o silêncio grita, clama,
por um pouco de companhia,
por umas poucas palavras
que nos guiem, nos orientem, nos encaminhem.

Quando o silêncio dorme,
vemos passar o nada, o vazio,
a solidão que nos empurra para grandes espaços
que nos agrilhoa

Quando o silêncio é silêncio,
na alma do nosso corpo,
no espaço da nossa memória
que tudo guarda, tudo fotografa,
tudo encaixa no nosso cérebro inconsciente de si, de nós, de todos.

Quando o silêncio dorme,
sinto-me acompanhado,
sinto-me não só, nesta vida
que nos quer solidão.

Quando o silêncio dorme,
apago momentos de memória,
construo outros recalcados,
deixo-os invadir a minha não solidão.

Quando o silêncio se quer silêncio,
pois para quê palavras.
Deixo o olhar cruzar olhares,
deixo-me ao abandono de mim.

Quando o silêncio dorme,
sorrio para o mundo.
Quer dizer que estou aqui,
que estás aqui, que me acompanhas,
que me guias, que me falas.


(c) Joaquim Guerra
Imagem gentilmente cedida pelo José.
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